segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Animação de Natal

REDE MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS DO CONCELHO DE PALMELA



"Aqui à Piratas!"
Animação de Natal da equipa de animação infanto-juvenil da divisão de bibliotecas

Sinopse do conto “Aqui há Piratas”:
O Pirata Bolinha mostrou ao Capitão Magrinho que todos podem festejar o Natal, mesmo no alto mar. A amizade entre os dois tornou-se verdadeira e partiram à aventura por esse mundo fora, deixando para trás assaltos e batalhas.

Para as escolas de 1º ciclo e pré-escolares do Concelho de Palmela
9 e 10 de Dezembro – Centro Cultural do Poceirão
11 de Dezembro – Biblioteca de Palmela
14, 15, 16 e 17 de Dezembro – Auditório Municipal de Pinhal Novo

Público em geral - 16h00 ( entrada livre)
19 de Dezembro - Auditório Municipal de Pinhal Novo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Flor de Sal

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO SEIXAL



Conversas com a Escrita: Apresentação do livro Flor de Sal de Arlindo Mota dia 21 de Novembro de 2009 às 16:00 na Galeria Augusto Cabrita, Fórum do Seixal.

Flor de Sal, cujo prefácio é da autoria de José Barata Moura, é uma história construída em torno de factos reais ocorridos com uma pessoa comum, e que circunstancialmente foram ao encontro do autor. Arlindo Mota deixou-se tocar por eles e restitui-nos o conhecimento de acontecimentos que ensombraram a vida do protagonista real, sendo em torno deste que Arlindo Mota constrói a personagem principal do romance e todo o universo ficcional narrativo.

Do casamento infeliz de Maria Madalena e de como ela se acabara por livrar dele

«Maria Madalena tinha ainda bem presente a forma como tivera de enfrentar a sociedade da vila onde fora nascida e criada, tudo porque ousara libertar-se da clausura de um casamento infeliz, mesmo se o marido, alcoólico inveterado e mulherengo, lhe batia até deixar marcas, entre outras ofensas que preferia agora ignorar. Na inocência dos seus vinte anos, e se a princípio acolhera com resignação aquela escolha da família, uma revolta surda ia-se apoderando dela, até à gota de água de uma amante mantida pelo cônjuge, sem pudor ou recato. Desobedecendo à lei e aos costumes, resistiu tenazmente às fantasias libidinosas que Castro Franco, o marido, de quando em vez, sobre ela, qual presa agrilhoada, intentava prepretar. Valera-lhe a mãe, senhora bondosa e austera, que conhecendo o descalabro físico e moral em que a vida da filha se havia transformado, lhe fornecia discreto, mas vital apoio, naquela luta desigual pela dignidade. Ajudara-a até a afastar-se, a pretexo de maleita do espírito, para casa de uma tia, numa vila que distava mais de duzentos quilómetros por entre acessos ruíns. (...)»

Biografia

Arlindo Pato Mota nasceu em Troviscal (Oliveira do Bairro, Aveiro), mas foi em Lisboa que decorreu toda a sua infância e juventude, tendo estudado no Liceu Normal de Pedro Nunes. É licenciado em Filosofia e em Direito e Mestre em Ciência Política, área científica em que desenvolve doutoramento. Residente em Setúbal, exerce actualmente funções de consultoria e investigação universitária.

Cronista das publicações da Rede Sem Mais, onde foram editadas as crónicas que integram o presente livro, o autor tem uma longa história de colaboração na imprensa nacional e regional, no República Juvenil, Jornal de Artes e Letras, Notícias da Amadora, O Professor, antes do 25 de Abril, e já no regime democrático, no jornal Margem Sul (fundador e director), Diário de Lisboa, Repórter de Setúbal e nas revistas Património, Poder Local, Movimento Cultural, Binómio, entre outras.

Enquanto escritor, tem-se dedicado sobretudo à poesia, ao ensaio e à crónica. Flor de Sal é o primeiro romance do autor.

Bibliografia

2009 (Romance)
Flor de Sal, Publicações Folha d'Hera

2007 (Crónicas)
Alice no País do Faz-de-Conta, Publicações Folha d'Hera

2005 (Biografia)
Pescadores de Mar Muito - Testemunhos de Ângelo Sobral Farinha, Publicações Folha d'Hera, com João Martelo

2005 (Ensaio)
Governo Local, Participação e Cidadania, Nova Vega

2004 (Poesia)
A Seda das Palavras, Publicações Folha d'Hera

1999 (Ensaio)
Formas de Liberdade, Montepio Geral, fotos de Pedro Soares

1995 (Poesia)
Marca d'Água, Publicações Folha d'Hera

1986 (Poesia)
Incertos Dias, Publicações Folha d'Hera

Desdobrável Flor de Sal de Arlindo Mota

Estação do Livro 2009

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO SEIXAL



De 16 de Novembro a 27 de Novembro de 2009 nas escolas concelhias do concelho do Seixal.

Estação do Livro

A Estação do Livro é época de livros, de pensar em livros, de falar de livros, de comprar livros e de lhes dar um espaço mais relevante na comunidade, fazendo das bibliotecas escolares espaços vivos, plenos de actividades. Mas Estação é também o lugar de encontro entre viagens, de paragem para reflexão antes de uma próxima aventura, que começa de cada vez que termina a anterior.

Este ano, entre 16 e 27 de Novembro, tal como nos anteriores, desde 2002, haverá nas trinta e uma escolas que integram a rede concelhia de Bibliotecas Escolares, inúmeras iniciativas de animação e promoção da leitura, que vão desde encontros com autores, ateliês, mesas redondas, exposições, workshops, entre outras.

Neste sentido, o Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares desenvolve a programação desta iniciativa contratando os dinamizadores, articulando agendas, realizando contactos e divulgando a iniciativa para o exterior. Por seu turno, as escolas organizam uma Feira do Livro e convidam escritores ou outras personalidades que animem, de alguma forma, a própria Feira do Livro e ganham ânimo, proporcionando aos seus alunos enriquecedoras experiências na passagem pela Estação do Livro.

Escolas envolvidas este ano

Todas as secundárias (5) e EB 2,3 (8) e 18 EB1, ou seja, todas as escolas pertencentes à Rede de Bibliotecas Escolares.

Destaques desta edição

Ver e Olhar – tema anual da biblioteca
Ateliers, oficinas, contos, leituras encenadas, jogos direccionados ao tema Ver e Olhar, no seu mais lato sentido – olhar o interior e explorar o eu, olhar a arte, representar, imaginar, criar histórias, tudo o que o Ver e Olhar pode alcançar…

Actividades

Pré-escolar:- Oficina Transforma(-Te)

1.º Ciclo:- Em busca de como somos únicos
- Leitura encenada de “O Ponto”
- Natal dell'Arte
- Não faz mal ser diferente
- Oficina de Ilustração
- Olhos pequeninos também vêem
- Um conto na floresta

2.º e 3.º Ciclo:
- Nos Montes de Viriato
- Palavras a brincar

3.º Ciclo e Secundária:
- 10 Gigas de Livros – O Enigma da Felicidade
- À descoberta de olhares + profundos
- A Perca
- Diz-se poesia na escola
- Lupublicidade
- On the road de Jack Kerouac
- O mundo maravilhoso de Tim Burton

Todos os ciclos:- Contos e Cantos (sobre Cabo Verde)
- Conto Tradicional (histórias que se vão perdendo no tempo…)
- Dentro de mim um tesouro
- Contos com olhos de ver (contos animados)
- Ver e olhar a vida
- Ioga do riso

Página do Projecto

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Acção de Formação - Política de Gestão de Colecções em Bibliotecas Escolares

SERVIÇO DE APOIO ÀS BIBLIOTECAS ESCOLARES DO CONCELHO DE PALMELA E GRUPO DE BIBLIOTECAS ESCOLARES DO CONCELHO DE PALMELA



Formador: Júlia Martins
Destinatários: Comunidade Educativa
Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Palmela
Dia: 24 de Novembro
Hora: 14h30 – 17h30
Organização: Grupo de Bibliotecas Escolares do Concelho de Palmela

Aceitam-se inscrições através dos contactos:
Email: ocidades@cm-palmela.pt / mcarreira@cm-palmela.pt
Tel: 212336638

Júlia Martins é licenciada em Filosofia, pela Universidade Católica Portuguesa. Professora do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária do Bocage, em Setúbal.
Em 1997 iniciou a sua actividade como coordenadora da biblioteca escolar da EB 23 de Azeitão, cargo que desempenhou durante nove anos.
Em 2004 concluiu o Curso de Formação Especializada – Bibliotecas Escolares/CRE Formação em Contexto, pela Escola Superior de Educação de Setúbal. Neste momento, elabora a tese de dissertação subordinada ao tema A Liderança do Professor Bibliotecário à Luz do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, no âmbito do Mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares pela Universidade Aberta.
Desde 2006 que integra a equipa do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, onde desempenha o cargo de Coordenadora Interconcelhia.

A Gestão da Colecção e a Bibliotecas Escolar

A realidade das bibliotecas escolares tem sofrido muitas alterações nas últimas décadas. Passámos de espaço organizado em regime de acesso reservado e onde o livro tinha exclusividade para um novo espaço que proporciona o acesso à informação, quer através de recursos documentais físicos quer em ambiente digital e onde o professor bibliotecário desempenha o papel de gestor da informação.
Cada vez mais a gestão da colecção é uma prioridade na gestão da biblioteca escolar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Biblioteca de Gonçalo M. Tavares

REDE MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS DO CONCELHO DE PALMELA




A partir do mês de Novembro o escritor Gonçalo M. Tavares começa uma Biblioteca inédita na Biblioteca Municipal de Palmela.

À semelhança do conteúdo do livro Biblioteca, cada mês haverá dois textos literários inéditos da sua autoria, escritos a partir da sua própria leitura de outros escritores, produzidos especialmente para a BM de Palmela.

Os textos serão afixados em todas as Bibliotecas da Rede de Bibliotecas Públicas do Concelho de Palmela, e estarão disponíveis para os leitores coleccionarem.
Convidam-se todos os leitores interessados a produzir um texto-resposta (ou, em alternativa, um poema, um desenho, ilustração, fotografia, etc.) devidamente identificado, a entregar em qualquer das Bibliotecas Municipais do Concelho.

Estes leitores serão convidados-especiais para as sessões do Curso de Leitura e Imaginação, em 3 sessões, com Gonçalo M. Tavares, posteriormente anunciadas.

Este curso terá uma componente teórica e outra de exercícios práticos. Em Novembro os dois primeiros textos são sobre Alexandre O’Neill, veja aqui…

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Foi Bolseiro do Ministério da Cultura — IPLB com uma bolsa de Criação Literária para o ano 2000, na área de poesia.

Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra: Livro da dança, na Assírio e Alvim.

Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso com a obra O Senhor Valéry (publicado na Editorial Caminho em 2002) e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis (Difel).

Publicou O homem ou é tonto ou é mulher e A colher de Samuel Beckett e outros textos, ambos na Campo das Letras e adaptados para teatro.

Representado em antologias de poesia publicadas na Holanda («Hotel Parnassus, Poetry International 2002») e na Bélgica («Het laatste anker» — «O último refúgio — 300 poemas de todo o mundo sobre a morte», Lannoo/Atlas), e editado em revistas inglesas e americanas.

Traduzido para italiano com um conto inserido na antologia «Racconti senza dogana» — «Jovens escritores para a nova Europa» (Gremese Editore).

No grupo OuLIPO (França) foi realizada, em 2003, uma leitura de algumas histórias de O Senhor Valéry (com tradução e leitura de Jacques Roubaud).

Ainda em 2003 publicou O Senhor Henri (Caminho).
O Senhor Valéry foi traduzido para francês, com um prefácio de Jacques Roubaud, e editado em Setembro de 2003 na «Joie de Lire».

O ano de 2004 assitiu ao crescimento do «Bairro» com o lançamento de O Senhor Brecht e O Senhor Juarroz.

Publicou os romances: Um homem: Klaus Klump, em 2003 e A máquina de Joseph Walser (2004) na Caminho. Em 2005 publica, também na Editorial Caminho, a obra vencedora de dois prémios, Jerusalém.

Vencedor, em 2004, do Prémio LER/Millenium BCP.Vencedor, em 2005, do Prémio Literário José Saramago.

As obras de Gonçalo M. Tavares encontram-se traduzidas nos seguintes países:

Brasil, Espanha, Índia (inglês), Itália, Suiça (françês)

Obras publicadas:

O Senhor Valéry
O Senhor Henri
O Senhor Brecht
O Senhor Juarroz
Aprender a rezar na Era da Técnica
Os Amigos (infantil)
Os Dois Lados (infantil)
Um Homem: Klaus Klump
A máquina de Joseph Walser
Jerusalém
Água, Cão, Cavalo, Cabeça
O Senhor Kraus
O Senhor Calvino
O Senhor Walser

In: Editorial Caminho

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

By Night - Serão na Biblioteca

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO SEIXAL



O "By Night – Serão na Biblioteca" é uma actividade recreativa que pretende proporcionar uma forma diferente de passar um serão. No caso específico procurámos organizar um conjunto de actividades que ilustrem as comemorações do Halloween, procurando ao mesmo tempo desencadear nos jovens o afecto pelo acto da leitura.

As plantas na primeira globalização

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO SEIXAL



As implicações da primeira globalização fazem-se sentir ainda hoje. Ela tornou acessíveis ao conhecimento europeu as Américas, a Índia, o Sião, a China, o Japão e outras longínquas paragens. Transformou o Oceano Atlântico num verdadeiro mare nostrum da civilização ocidental e outros oceanos, mares e destinos em percursos conhecidos, descobertas de outros povos e culturas, de novos aromas e sabores. A relevância dos descobrimentos portugueses é indiscutível e indissociável deste processo cujos efeitos irreversíveis perduram no tempo.

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sábado, 17 de outubro de 2009

Acção de Formação - À conversa com António Fontinha, o Contador de Histórias

REDE MUNICIPAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS DO CONCELHO DE PALMELA E GRUPO DE BIBLIOTECAS ESCOLARES DO CONCELHO DE PALMELA



Acção: À Conversa com o contador António Fontinha
Formador: António Fontinha
Destinatários: Comunidade Educativa
Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Palmela
Dia: 27 de Outubro
Hora: 15h00 – 18H00
Organização: Grupo de Bibliotecas Escolares do Concelho de Palmela

Aceitam-se inscrições através do e-mail:
ou pelo telefone:
212336638

António Fontinha nasceu em Lisboa, viveu em Angola até 1975 e iniciou-se na prática de contar histórias em 1992. Em 1995, rendido aos encantos da narrativa oral, trocou a carreira de actor pela de contador de histórias: “É uma alegria sentir que nos escutam, que no embalo das palavras mergulhamos, partilhando a aventura”.
A base do seu repertório são temas da tradição oral portuguesa e, paralelamente à actividade de narrador, tem feito recolha de contos tradicionais por todo o país.

Lavrando a terra

Uns mais, outros menos, todos temos vivências, passagens, contos... Narrativas que facilmente são partilháveis oralmente.
O objectivo deste encontro é entretermo-nos um pouco com a brincadeira de contar... E deitar o rabo do olho ao imaginário da tradição oral portuguesa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Teatro Infantil

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO PINHAL NOVO



A equipa de Animação Infanto-Juvenil da Rede Municipal de Bibliotecas Públicas do Concelho de Palmela convida a assistirem à peça de teatro infantil "O Rapaz de Bronze", baseada no conto de Sophia de Mello Breyner.

Dia 26 de Setembro pelas 21h15 no Auditório Municipal de Pinhal Novo.
Entrada livre.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Conversas com a Escrita: Estórias (Para Adultos) Infantis

BIBLIOTECA MUNICIPAL DO SEIXAL



Conversas com a Escrita com Xico Braga
Lançamento do livro "Estórias (Para Adultos) Infantis"
Dia 26 de Setembro, pelas 16 horas, na Galeria Augusto Cabrita - Fórum Cultural do Seixal

Nota biográfica

Nasceu em 1950.
Professor desde 1979, desenvolveu a sua actividade, durante vinte anos, no Concelho do Seixal. Dedicou-se à divulgação da fotografia nas escolas, promovendo Cursos de Iniciação e a realização de Exposições e encontros com fotógrafos. Foi um dos responsáveis pelo jornal da escola Moinho de Maré “O Celeiro”, tarefa que o encantou.
Em 1998, depois de um enfarte, lembrou-se de que queria “ser escritor quando fosse grande” e escreveu o seu primeiro livro de poesia, acreditando que seria o único. Como continuou por cá, foi escrevendo e desafiando amigos para a escrita. Recebeu a medalha de Mérito Cultural, da Câmara Municipal do Seixal, em 2004. Em 2005, descobriu que é giro ser avô e o prazer de escrever estórias para crianças.
Não consegue perdoar que tenham fechado a sua escola. Nem outras coisas.

Das Estórias (Para Adultos) Infantis

Estes sete contos de Xico Braga, mais os dois poemas que os acompanham (o primeiro, talvez, com inspiração na poesia erótica de Bocage e ao gosto popular) não escondem qualquer ambiguidade — o título diz tudo: Estórias (para adultos) infantis. Destinatários escolhidos e intenções expressas, como ocorre na subversão narrativa de O Lobo e o Capuchinho Vermelho e Outras Histórias Eróticas Escritas por Mulheres (mulheres que são autoras de renome, como George Sand), ou nas Histórias Tradicionais Politicamente Correctas de James Finn Garner.

Estórias (Para Adultos) Infantis de Xico Braga são essencialmente relatos onde Eros, tão só uma componente, irrompe como que por casualidade e, com a mesma discrição que chega, com a mesma discrição se consuma e o autor passa a outra história, uma outra, e outra ainda para… adultos infantis. O primeiro conto desenvolve-se em torno de uma lição de vida sobre a urbanidade e lisura que se deve considerar nas relações fazendo jus ao adágio popular: “ovelha que barrega perde o bocadel”; lição aprendida e tem depois o animal pasto que o satisfaça. Se assim não fosse, dificilmente as personagens de Estórias (para adultos) infantis teriam para contar e, “inglória, inglória” (ao inverso do que dizem os contadores tradicionais), não havia nem fim, nem história. O conto “A mesa de cozinha” desperta na imagética cinéfila memórias do filme O carteiro toca sempre duas vezes. Toca sempre duas vezes, para não deixar de ser ouvido; como Xico Braga, não com dois mas com estes sete contos e um par de poemas, não pode deixar de ser lido e de continuar a escrever. Pode-se reencontrar nestas histórias uma certa ludicidade, uma plenitude satisfeita, talvez porque, como no imaginário das histórias para crianças, também os adultos precisam de encontrar na leitura um espaço de evasão, de tranquilidade reencontrada. E estes contos não transmitem tanto uma “tensão libidinosa”, mas antes um sorriso de cumplicidade indulgente ou ironia pelos contextos e desenvolvimentos destas pequenas narrativas. Mas a idealização nostálgica ou construída da infância não visa o reencontro com um tempo sem pressões e com a crença na possibilidade de materialização de desejos? Se Estórias (para adultos) infantis é um título que pode fazer cócegas à curiosidade do leitor, o livro lê-se com tranquila satisfação. Nele tudo decorre sem dramas, sem excitações, sem comprometimentos (e decorrentes complicações e catarses), como se a naturalidade do espaço de entorno de cada narrativa se plasmasse nos encontros e relacionamentos que se sucedem.

Estórias (Para Adultos) Infantis são cuidadosamente pescadas à linha, com um anzol que, nestas páginas, indiferentemente vai prendendo, em momentos sensuais, os protagonistas: artistas, pessoas comuns, tainhas, redes de um bordado e, reiteradamente, o próprio leitor que fica, tal como a personagem do conto “O meu sorriso”, refastelado, “coçando a alma com a revisão de alguns poemas acabadinhos de escrever”. Histórias bem-humoradas, onde se pressente a presença do “era uma vez”, do tempo do faz-de-conta, do que existia sem sombra de pecado, sem sombra de SIDA e outras assombrações que não fossem as urgências de uns biscates, uns apertos de dinheiros ou vagas incertezas de emprego. Toda uma irrealidade difusa, como aquela que só na infância se pode percepcionar e que, no mundo a sério, o dos crescidos, não tem já lugar. Alguma coisa aqui Xico Braga tinha de escrever para adultos, mas saiba-se lá se o fez! Tal como convenções artísticas se quebram, como géneros literários se diluem e fundem, também a heterogeneidade entre jovens leitores e leitores adultos se esbate. E interrogamo-nos: então, isto é que são histórias para mim, que sou adulto? Tal como a tradição, as coisas também já não são como eram. Se calhar, estas histórias são mesmo para adultos infantis, porque outros, no fundo, não há, e gente adulta, verdadeiramente a sério, pode lá embarcar na suspensão da realidade que, a cada passo, irrompe na escrita e na arte!

Vera Silva

Eu vi um esquilo azul

“A natureza favoreceu-me, e os inexplicáveis olhos verdes com que nasci – a genética nunca entrou nas tentativas de explicação que o meu bairro encontrou para este facto –, depois do longo treino que lhes dei até à perfeição deste meu meio franzido olhar, têm explicado o meu sucesso entre as benditas das mulheres. Nenhuma me escapa, se é que me entendem! quando lhes lanço a mirada. Aguço-lhes a vontade de se fazerem encontradas comigo e, muito à conta disso, tornei-me exímio pé de dança em tudo o que é baile das colectividades das freguesias ao redor do meu umbigo. Muita maminha atarraxei ao meu peito a dançar esses slows inventados para nos atazanarem ainda mais o desejo, se isso é possível! e muita maminha pus ao léu em posteriores encontros de combinação segredada entre a dolência dos compassos. Por aqui me fico, por enquanto. Tenho esta fama, e proveito! de irresistível. Uma outra qualidade também explica o meu sucesso: eu não sou um gabarola. Não escondo, mas não exibo as minhas conquistas. A minha intimidade, essa, é tabu. Todas as moças que catrapisco sabem que, o que vivemos, comigo morre. É qualidade, a arte de guardar segredo. Aprendi-a à minha custa, em duas valentes bofetadas que o bruto do pai da Teresa me pregou, depois da minha rábula exibicionista entre os meus amigos. Tinha eu treze anos e partia para a descoberta dos prazeres que os corpos das mulheres encerram desde que a Eva, em bendita hora! se atreveu a comer a proibida maçã. A Teresa! Que será feito dela? Foi para Beja com os pais, há uns bons anos, e nunca mais a vi. Que pena! Era tão linda! Que treze anos de promessas ela mostrava, fazendo-nos, a todos, andar pelo beicinho, no nascer dos nossos primeiros amores de quase adolescentes. “Eu vou beijá-la toda” disse eu, em desafio. “Uma aposta que não consegues”. Foi assim, neste tom de mostrar quem é que é bom, que eu me aventurei a confiar na força do meu olhar esverdeado e a lançar-me na aventura de conseguir uma encontro com a Teresa, na casa dela, depois das aulas, com a esfarrapada desculpa de ela me ajudar num trabalho de Geografia. Ela percebeu logo, pois quando, fechada a porta nas minhas costas, lhe peguei na mão e a puxei para mim, foi ela que lançou os lábios contra os meus e se apertou a mim, acendendo-me um fogo nunca antes sequer imaginado.”

Xico Braga

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